quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PROFESSOR TAMBÉM FAZ ARTE



JUIZ DE FORA - 7/10/2009 - 12:21

V Mostra Professor Também Faz Arte – Programação especial leva cerca de 200 pessoas ao CCBM

Um espetáculo misto de teatro, música e dança reuniu, aproximadamente, 200 pessoas durante a programação especial da V Mostra Professor Também Faz Arte, nesta terça-feira, 6, na Sala de Encenação Flávio Márcio, do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). As quatro apresentações contaram com grupos que atuam na área artística cidade, com participação de professores da Rede Municipal de Ensino.

É a primeira vez, desde a primeira edição do evento, que uma apresentação como esta foi exibida fora do dia de abertura da exposição. O Grupo Teatral Mendes Gutierrez – Cia. Tralha abriu a noite com esquetes de palhaços. Em seguida, o grupo de dança contemporânea Inércia Zero apresentou um fragmento do espetáculo “Sinestesia”, passando a vez para a Cia. de Dança de Salão da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). Sob coordenação da professora de dança Lúcia Coelho, servidores municipais (foto) envolveram a platéia com a apresentação de vários ritmos como soltinho, bolero, tango e samba. Dando continuidade, o Inércia Zero voltou ao palco para apresentar trechos do espetáculo “Quem mordeu a maçã?”, com encerramento da Banda Trem de Doido & Convidados, com destaque para MPB e música mineira.

Para a organizadora da mostra, Iêda Loureiro, o sucesso foi grande e o aceitamento foi muito bom, sinalizando a possibilidade de a Secretaria de Educação ampliar a programação para o próximo ano. Acompanhando toda a apresentação, Rosana Fonseca Alves, que soube do evento por amigos, conta que fez questão de comparecer. “Um show maravilhoso, com toda esta variedade de apresentações merece nosso reconhecimento. Ficou tudo muito bem trabalhado”, afirma Rosana. A supervisora de Avaliação e Monitoramento do Departamento de Ações Pedagógicas da SE, Maria Cristina Moraes, também prestigiou as apresentações e confirmou o sucesso e o interesse dos professores em participarem da Mostra Professor Também Faz Arte. “Este ano, a produção está linda”, diz Maria Cristina.

A visitação às obras de artes plásticas e literatura pode ser feita no Espaço Alternativo do CCBM, na Avenida Getúlio Vargas, 200, Centro, de terça a sexta-feira, das 9h às 21h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h. A exposição fica aberta até o próximo dia 18.

*Informações com a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Educação, pelo telefone 3690-8497
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

SALADA DE VERMICELLI

Receita: Salada de Vermicelli

29/10
06:00hs

Cabelinho de anjo claro e transparente preparado ao estilo Thai*, com frango moído, suco de lima e refrescante erva cidreira; experimente
Divulgação
Salada de Vermicelli

Ingredientes

100g de feijão vermicelli
60g de peito de frango, sem pele
1 pimenta vermelha
2 dentes de alho descascadas
2 colheres açúcar
2 colheres de suco de limão
2 colheres de molho para peixe
1 colher de óleo
1 camarão fresco grande, cortado em pedaços pequenos.
¼ Cebola vermelha, cortada em pequenos pedaços
2 Cebolas grandes, cortada em pequenos pedaços
1 pequena ou ½ grande cenoura raspada

Modo de Preparo
Cubra o vermicelli com água fria e deixe por 15 min, deixe secar e corte em pedaços de 10 cm. Moa o peito de frango, usando um processador, com cuidado para não processar muito.

Para fazer o tempero, processe a pimenta com um dente de alho e misture com açúcar, suco de limão, e molho para peixe.
Corte em pedaços o outro dente de alho. Aqueça o óleo e deixe por alguns segundos, mergulhe o vermicelli por 2 minutos, depois seque bem, coloque o frango moído e o camarão em um prato, mergulhe na água por 2 minutos até cozinhar, depois seque-o bem.

Coloque o vermicerlli, camarões e frango cosidos em uma tigela e adicione óleo com o alho dourado. Adicione os ingredientes restantes e o tempero e vire a salada com
cuidado, então ela estará bem misturada. Coloque a salada em um prato para servir decorado por ervas verdes de salada.

Rendimento: para 2 pessoas.

*Receita cedida pelo restaurante paulistano Thai Gardens, em São Paulo. De 02 a 08 de novembro, a casa celebra o Loy Krathong, um ritual de boa sorte celebrado anualmente na lua cheia do 12º mês de acordo com o calendário lunar tailandês. Em comemoração, o Thai Gardens, autêntico restaurante tailandês, preparou um cardápio especial para essa semana, pelo preço de R$ 49,00  por pessoa.

Thai Gardens
Endereço: Avenida Nove de Julho, 5871 - Itaim Bibi – São Paulo
Telefone: (11) 3073-1507

Leia mais sobre: comida tailandesa

Palavra do Professor

Palavra do Professor


"Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você!"

"Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes!"
- Paulo Freire


"Se não puder se destacar pelo talento, vença pelo esforço!"
- Dave Weinbaum


"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância!"
- Sócrates


"Triste não é mudar de idéia. Triste é não ter idéia para mudar!"
- Francis Bacon

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Poema

"Quando cai uma flor novo botão se enflora no ramo..." Disse alguém como quem diz: "Após a noite surge a aurora, volta o sorriso ao lábio de quem chora, um amor vai... outro amor vem..." Mas sente desta vez meu coração tristonho que em mim tudo morreu... Pus minha mocidade inteira nesse sonho... Não foi o meu amor que se acabou: fui eu. (Menotti Del Picchia)"

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Poesia e Prosa

Jogos de palavras

Alexandre Rodrigues Alves

- Vamos lá, agora é a vez do Rodrigo. As palavras sorteadas são...
- Pô, nas outras vezes, pra mim saíam sempre as piores, as mais complicadas de combinar, sei lá...
- A primeira é trânsito; a segunda palavra é...
- Isso vai ser fácil pra ele, o cara adora dirigir!
- Bebê!
- Bebê, criança, ou beber, verbo?
- Bebê, criança!
- Vai botar um menino na direção?
- Dois minutos para pensar, pesquisar, ler alguma coisa para se inspirar... ou pode ir para o quarto, para a cozinha...
- Posso ir para a garagem?
- Não! Não pode sair da casa!
Dois minutos e dez segundos depois, Rodrigo volta à sala, sério, compenetrado.
- Fui para o escritório e anotei algumas coisas. Posso usar o que anotei ou tenho que confiar somente na memória?
- Pode usar.
- Mas é tanta coisa assim?
- Não, é que talvez eu me perca na história que eu montei.
Rodrigo refestela-se na poltrona, o local do contador de história da vez. Ele começa.
- Rui e Magda saíram de casa esbaforidos. A mochila já estava pronta há dias. A bolsa dela rompera, a ginecologista já havia sido avisada e estava indo para o Hospital dos Italianos. A rua onde eles moravam estava em obras, muita poeira, lama, só passava um carro de cada vez. A mulher já estava com as contrações, de leve, mas que incomodavam e assustavam. Sábado à noite, dia de todos passearem, todos os morrinhas na rua, um trânsito caótico. Aí está a primeira palavra.
- Começou bem!
- Obrigado. No fim da rua, a sirene de uma ambulância aumentou a tensão no carro. Afinal, Rui não tinha essa prerrogativa para facilitar sua passagem pelos outros. E as dores da mulher aumentavam.
- Ele usou prerrogativa! Caramba!
- Posso continuar? O sinal estava amarelo, o carro da frente parou. Rui deu uma freada que Magda quase veio parar no banco da frente. Por segurança, ela estava no banco de trás do carro. Rui aproveitou a deixa para reclamar um bocado do idiota, do morrinha, do imbecil, do roda-presa, do comprador-de-carteira-no-teledetran do carro da frente. Dava pra ver que a pista de lá do canal, que ele ia pegar, estava completamente engarrafada. Só parou de falar quando percebeu que estava deixando a mulher mais nervosa ainda. Primeiro filho! A mulher tentou contemporizar e disse que estava aguentando bem, que dava pra ir com calma.
Rui olhou pra frente; o sinal dos pedestres começou a piscar a luz vermelha: já ia abrir para os carros. Nesse momento, um ônibus começa a fazer um retorno proibido, para passar para a pista de subida. "Não é possível", ele diz, "que um profissional, dirigindo esse monstrengo, apagado, indo para a garagem, venha fazer um retorno aqui! Ele vai ter que manobrar! E fechou a passagem para nós".
Rui está tão transtornado que não vê o sinal abrir. Quando ouve as buzinas e tenta arrancar com o carro, o motor apaga. Ele liga rápido, mas o vermelho já acendeu. O ônibus continua lá, no meio da rua, não passa nenhum carro, nem na pista de cá, para o Centro, nem na de lá, na subida. Ele procura, pelo retrovisor do ônibus, observar o rosto do motorista. Lá, uma mão para fora da janela segura um cigarro aceso. Tranquila...
"O salafrário faz uma lambança dessas com o trânsito" - olha a palavra aí de novo! - "e fica lá, na boa, esperando o quê? Que todos os carros desapareçam da frente dele?" A ambulância apita novamente, cada vez mais perto, dois ou três carros atrás. "O que é que ela quer? Que a gente faça uma transmutação e desapareça? Não dá!", continua a falar alto. O sinal abre e fecha, o ônibus paradão lá, a mão com o cigarro aceso para o lado de fora, tudo apagado dentro do ônibus.
Toca o celular. É a médica para saber deles, que ela já está no hospital, está tudo pronto esperando por Magda. A mulher é que fala com a doutora, aparenta tranquilidade. O trânsito do outro lado anda, o ônibus vai sair do lugar, vai liberar a rua... Passa tanto carro preso pelo ônibus que queria fazer o retorno que o sinal abre e fecha e não pára de passar uma montanha de carros na frente do Rui. Abre o sinal pra ele, que acelera rapidamente. E freia, porque outro ônibus se atravessa na frente dele, reclamando do ônibus que fez aquela manobra cretina e agora se vai, lá do outro lado do canal... O sinal fecha.
Rui desce do carro e vai até o motorista. Bate na porta de entrada. Está tudo parado do lado de cá do canal, tudo cheio de carros que ficaram retidos pelo primeiro ônibus. O motorista nem dá bola, faz sinal para ele voltar para o ponto de ônibus e esperar o próximo. Ele resolve ficar em pé na frente do ônibus, e o motorista olha para o lado, para o canal imundo. Xinga o canalha de todos os nomes, esquece da mulher, que, a essa altura - e conhecendo o gênio do marido -, já desceu do carro e foi pegar um táxi do outro lado do canal.
Rui não viu, esqueceu de tudo, das buzinas, da sirene... Pega uma pedra e joga no vidro do coletivo. Acerta a testa do motorista, que cai para o lado. Ele sai da frente, porque o ônibus começa a descer a rua e bate, devagarzinho, no poste de sinalização. Agora sim, a rua está fechada. De vez. Os passageiros gritam; um abre a porta, outro levanta o motorista, completamente ensanguentado, a blusa empapada de vermelho, o olho tampado pelo inchaço.
Um homem aperta o braço de Rui. "Não saia daqui! Vou levá-lo pra delegacia! Como é que você faz uma coisa dessas?" A sirene não era de ambulância, era de polícia. "Mas espera aí", gritou Rui. "Tenho que ir para o hospital, levar minha mulher pra parir e esse canalha fechou a passagem da rua. Vai perder quatro pontos na carteira!" Olhou para o carro vazio. "Cadê a Magda? Onde é que ela está?"
No desespero, conseguiu arrastar o guardinha até o carro, gritando pela mulher. Nada, nem a bolsa com as roupas... No banco do carona, a luz do celular piscava. Toca a indefectível "Marcha turca", de Mozart. Ele atende. "Tá, tá bom, já entendi, que bom. Obrigado. Mais tarde eu vou praí." Desligou. Virou-se para o guarda.
"Tudo bem, podemos ir aonde o senhor quiser. Era a médica. Ligou pra avisar. Correu tudo bem, minha mulher está descansando, com o Manuel nos braços. Vamos pra delegacia. Depois eu tenho que ir para o Hospital dos Italianos para ver o meu bebê."
Pronto, a segunda palavra está aí.

Pubicado em 12/5/2004

Prosa e poesia

Prosa e poesia

Um Mestre

Alcione Araújo

Com o seu próprio apagador - me intrigava a ideia doida de ter um apagador, e levá-lo a cada sala, junto a livros e listas de chamada - apagava a lousa em silêncio. Tirava de nossa vista os riscos, grifos, setas, datas, nomes, palavras, esboços dos caminhos para o mundo que o professor da aula anterior nos descortinara. Antes de qualquer coisa, fazia questão de ter o quadro imaculado, com um frescor inaugural. Ali, ele inscreverá as trilhas, as rotas, os atalhos e precipícios, que nos conduzirão ao mundo de sua devoção.

Professores são cicerones de jovens na primeira viagem. Éramos turistas afoitos, inocentes, dispersos, irreverentes e alegres. Cada qual a seu modo, eles nos pegavam pela mão e nos mostravam o mundo pelo qual se apaixonaram, e que gostariam que nos apaixonássemos.

O professor Luíz Gonzaga dava aulas de Português. E que aulas, meu Deus! Por favor, meu caro leitor ou leitora, não avalie, a competência e a paixão do professor, por este balbucio que ora lê. Para ele, a língua deveria ser simples sem ser superficial, prenhe de metáforas para dizer o indizível, na qual as palavras voassem como pássaros em bandos ordenados. Não se contentava em ensinar o português, ensinava a nos apaixonarmos pelo português.

Usava terno e gravata, sob o guarda-pó branco, óculos de tartaruga e o intrigante apagador. Limpo o quadro, virava-se para nós, e apertava as mãos sobre o peito. Olhava-nos com um sorriso suave. Silenciávamos, sem palavras nem carrancas, bastava aquele sorriso suave.

E era suavemente que dizia o poema, sem declamar, nem representar. Dizia-o para que as palavras, as metáforas, o ritmo, a harmonia, o significado chegassem a nós:

Este é tempo de partido
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

E só então, arrepiado de emoção, puxando-nos pelas mãos, mostrava a beleza de cada palavra, o ritmo interior do verso, a invenção, a metáfora, a significação, a revolta...E nós, menos que adolescentes, percorríamos os labirintos de Drummond e, dali, seguíamos viagem, sem escalas nem baldeações, para a gramática, a análise sintática, a racionalização que facilita a compreensão. Eis que, sem notar, estávamos a reler versos, a confirmar que quanto mais os compreendíamos mais nos emocionávamos. Que, enfim, a cultura educa a sensibilidade. O fim da aula sempre me apertava o coração.

A vida me concedeu verdadeiros mestres, privilégio que tenho sempre presente. Homens e mulheres generosos que não só me doaram o que sabiam, como me ensinaram a paixão pelo saber. Devo a esses mestres - dos quais, ingratamente, ignoro paradeiro e destino, exceto alguns, mais próximos e não menos lembrados - quase tudo do pouco que sei. Você, meu caro leitor ou leitora, também deve ter os seus mestres eternos. Pare e pense. Faça um esforço para se lembrar. Onde estarão eles agora? Estarão vivos ou mortos? Aposentados, descartados, abandonados? Ou estarão felizes como merecem?

Não me esqueço da imagem que o professor Luiz Gonzaga deixou entranhada na minha memória emotiva. Um dia, ele se atrasou. Fazíamos a bagunça peculiar à ausência de autoridade, quando ele surgiu lento na porta. Fez-se imediato silêncio, todos sentaram-se, olhos fixos na porta. Ninguém acreditava no que via. O professor estava de óculos escuros, um monte de gaze sob cada lente. Numa mão, o apagador. Na outra, a bengala branca.

Éramos trinta adolescentes e acabávamos de descobrir a precariedade da vida. As lágrimas me escorriam rosto abaixo. Eu não queria que aquela cambada as visse. Mas quando olhei em volta, todos estavam como eu. Apertavam os olhos para não chorar. Ou para não ver.

O professor Luiz Gonzaga avançou altivo, tateando com a bengala o caminho até à mesa e pendurou a bengala no encosto da cadeira. Sem apoio, foi à lousa, apagou-a até ficar vazia e imaculada. Virou-se para nós, cruzou os dedos, apertou as mãos sobre o peito, e disse: "Fiquei cego. Não vejo vocês. Apenas pressinto suas presenças. Que ironia, eu não poder mais ler! Agora, sei a escuridão que sentiu Homero". Não havendo escrita então, recitava os próprios versos de cor. Não viu nem cantou o mundo no qual viveu. Eu, a quem não foi dado o verso, posso dizer poemas alheios que decorei. Camões, que via o mundo com um olho só, seria melhor poeta se tivesse os dois? Borges compensou com a leitura a curta visão que acabou em cegueira. Podíamos falar de obras criadas na penumbra ou no escuro... E deu uma aula sobre literatura e cegueira para uma classe que chorava em silêncio.